Tecnologia

Óculos com inteligência artificial avançam em 2026 e podem mudar a forma como usamos a tecnologia

Samsung, Meta, Snap e Qualcomm aceleram a corrida pelos óculos inteligentes com IA, uma tecnologia que promete transformar a forma como interagimos com celulares e o mundo digital

Watila Gomes27 de agosto de 20262 visualizações
Imagem criado por Inteligência Artificial (IA)
Imagem criado por Inteligência Artificial (IA)

Os óculos inteligentes com inteligência artificial estão deixando de ser apenas uma ideia futurista para se transformar em uma das novas disputas da indústria de tecnologia em 2026. Empresas como Samsung, Meta, Snap e Qualcomm estão investindo em dispositivos capazes de colocar recursos de IA diretamente diante dos olhos do usuário. (Samsung Global Newsroom)

A proposta é relativamente simples: reduzir a necessidade de retirar o smartphone do bolso para realizar determinadas tarefas. Em vez disso, câmeras, microfones, alto-falantes, inteligência artificial e, em alguns modelos, realidade aumentada trabalham diretamente nos óculos.

Samsung aposta em óculos inteligentes com Gemini

Em julho de 2026, a Samsung apresentou seus óculos inteligentes integrados ao ecossistema Galaxy, desenvolvidos em parceria com Gentle Monster e Warby Parker.

O dispositivo utiliza a plataforma Android XR e integra o Gemini, inteligência artificial do Google. Segundo a Samsung, a tecnologia foi projetada para fornecer assistência contextual e permitir interações sem utilizar as mãos. (Samsung Global Newsroom)

Na prática, a estratégia aponta para uma IA que consegue acompanhar melhor o contexto ao redor do usuário, em vez de depender exclusivamente de comandos digitados em uma tela.

A própria Samsung considera os óculos um passo para levar a chamada IA agêntica para além dos smartphones. (Samsung Global Newsroom)

Meta também amplia sua aposta nos óculos com IA

A Meta segue investindo fortemente nessa categoria. Em junho, a empresa anunciou uma nova linha de Meta Glasses, desenvolvida em parceria com a EssilorLuxottica.

Os óculos integram a Meta AI e foram apresentados com recursos como compreensão do ambiente observado pelo usuário, captura de fotos, tradução ao vivo e assistência baseada em inteligência artificial. A empresa também anunciou planos para adicionar navegação para pedestres aos modelos sem tela. (Facebook)

O objetivo é transformar os óculos em uma espécie de assistente pessoal disponível durante todo o dia, capaz de compreender tanto comandos quanto parte do contexto visual do usuário.

Snap quer colocar realidade aumentada diretamente nos óculos

Outra abordagem vem da Snap. A empresa apresentou em junho os SPECS, óculos transparentes de realidade aumentada que funcionam como um computador vestível.

O dispositivo combina inteligência artificial, ferramentas de produtividade, entretenimento e experiências de realidade aumentada projetadas no campo de visão.

Os SPECS foram anunciados por US$ 2.195 e têm entregas previstas inicialmente para Estados Unidos, Reino Unido e França durante o segundo semestre de 2026. (Snap Inc.)

Nesse caso, a tecnologia vai além de simplesmente colocar uma câmera e um assistente de voz em uma armação: a proposta é transportar elementos digitais para o ambiente físico observado pelo usuário.

Qualcomm quer facilitar a criação de novos óculos com IA

A tendência não envolve apenas fabricantes conhecidos pelo público.

A Qualcomm lançou o programa Snapdragon START, uma plataforma que combina módulos de hardware, conectividade, processamento e software para ajudar outras empresas a desenvolver dispositivos pessoais baseados em inteligência artificial.

Os óculos inteligentes são justamente o primeiro formato contemplado pelo projeto. (Qualcomm)

Isso é importante porque pode reduzir a dificuldade para que novas fabricantes entrem nesse mercado. Em vez de desenvolver toda a infraestrutura tecnológica do zero, empresas poderão utilizar uma base já preparada para processamento e recursos de IA.

O smartphone pode ser substituído?

Ainda é cedo para decretar o fim dos celulares.

Os smartphones continuam oferecendo telas maiores, baterias mais robustas e uma infraestrutura gigantesca de aplicativos e serviços. Os óculos inteligentes também enfrentam problemas importantes, como autonomia de bateria, peso, preço e principalmente privacidade.

Um dispositivo equipado com câmeras e microfones e utilizado durante praticamente todo o dia inevitavelmente levanta dúvidas sobre gravações e coleta de informações de pessoas próximas.

Apesar dessas limitações, o movimento das fabricantes mostra algo importante: a indústria está procurando uma nova interface para a inteligência artificial.

Em vez de abrir um aplicativo, escrever uma pergunta e esperar pela resposta, a próxima geração de dispositivos pretende oferecer uma IA capaz de observar o contexto e auxiliar o usuário enquanto ele realiza outras atividades.

2026 pode marcar uma nova corrida tecnológica

A chegada simultânea de projetos de Samsung, Meta, Snap, Qualcomm e outras fabricantes mostra que os óculos inteligentes voltaram ao centro das atenções da indústria.

Uma análise da Counterpoint Research sobre os anúncios da AWE 2026 aponta justamente uma evolução dos óculos inteligentes de experimentos tecnológicos para uma plataforma de computação mais séria. (Counterpoint Research)

Isso não significa que os smartphones desaparecerão rapidamente. O cenário mais provável no curto prazo é que os óculos funcionem como uma extensão do celular e da inteligência artificial.

Mas, caso as empresas consigam resolver problemas de bateria, conforto, preço e privacidade, olhar para uma tela constantemente pode deixar de ser a principal maneira de interagir com a tecnologia.

E essa pode acabar sendo uma das transformações mais importantes da computação pessoal desde a popularização dos smartphones.

Fontes